domingo, 17 de maio de 2009

Casa José de Alencar

No meio da movimentada Avenida Washington Soares, a Casa de José de Alencar "respira" cercada por árvores, que dão sapoti, genipapo, manga, caju e outras frutas. Em Messejana, o sítio Alagadiço Novo permite o contato com a natureza, mas principalmente remete à história do escritor José de Alencar, que viveu ali até os 9 anos, quando era chamado de Cazuza. A Casa José de Alencar é mantida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e, lá, o visitante pode aprender sobre a obra do escritor, ver a história do livro Iracema contada por imagens e saber mais sobre escravidão e cultos afro-brasileiros. A visitação é gratuita.

A Casa José de Alencar conta com seis monitores capacitados, que se distribuem em dois turnos e acompanham os visitantes, fazendo explanações sobre peças e espaços. A pinacoteca dispõe de quadros do pintor maranhense Floriano Teixeira, falecido em 2000, que retratou as obras de Alencar. Trinta e duas telas estão disponíveis. De acordo com a monitora Marta Zélia, as pessoas costumam gostar muito das telas Iracema, Senhora, Lucíola e O Guarani.

Na sala Iracema, as ilustrações de Descartes Gadelha contam a história do romance da índia com Martim Soares Moreno, um dos mais famosos de José de Alencar. "É um resumo visual. Os fatos mais importantes do livro estão aqui retratados". Durante a visita, as ruínas do primeiro engenho a vapor do Ceará, um marco na economia do Estado em meados de 1830, também podem ser vistas.

O visitante pode conferir ainda o museu Arthur Ramos. "Arthur Ramos foi um antropólogo mundialmente conhecido, que colecionou objetos sobre escravos e os cultos afro-brasileiros. Temos peças com que os escravos eram supliciados, imagens de orixás. Aqui a gente faz uma explanação sobre a origem da umbanda", explicou. Neste mesmo espaço, tem a sala de Rendas e Bilros de Luiza Ramos, mulher de Arthur Ramos. A coleção dispõe de rendas de países como China, Espanha e de vários estados brasileiros.

Segundo ela, a maioria dos visitantes da Casa José de Alencar quer ver objetos pessoais do escritor e quase ninguém tem conhecimento deste museu. "Mas a gente explica que Alencar só viveu aqui até os nove anos, quando toda família dele foi embora para a Corte, no Rio de Janeiro". Por isso, as peças do escritor estão reunidas na fundação Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Segundo ela, as crianças costumam gostar do museu. "Elas sentam e escutam histórias relacionadas aos escravos e cultos", destaca.


SERVIÇO:
Casa de José de Alencar
Visitação: De segunda a sexta, das 8 às 17 horas. Aos sábados, das 8 horas ao meio-dia.
Agendamento de grupos: 3229 1898
Aberto ao Público

GOMES, Lucinthya. Conheça mais sobre José de Alencar. O Povo, Fortaleza, 16 jul. 2008.




terça-feira, 12 de maio de 2009

Homenagem a Luiz Gonzaga


Aza Branca PDF Imprimir E-mail
(Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)

Quando oiei a terra ardendo
Qua fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, uai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse a deus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Para eu voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus oio
Se espalhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração